terça-feira, 8 de março de 2011

Ilê, coisa linda de se ver
Por Schirley Lima
Com mais de 25 anos e cerca de 3 mil associados, o Ilê Aiyê vem trabalhando ativamente para a  manutenção da tradição carnavalesca. "O mais belo dos belos", desfilou todo seu charme na noite desta segunda-feira 07, no circuito Campo Grande.
FOTO:Gardenia Dultra

Com sua riqueza sonora e plástica, Ilê Aiyê vem contribuindo para resgatar a história do negro na Bahia. Mostrando-se conectado com a tradição e os avanços tecnológicos, foi o primeiro bloco afro a instalar uma mesa de som em cima do trio elétrico capaz de captar e gerenciar todo o som da percussão que desfila no chão.

Outra tradição é a escolha da rainha do Ilê, selecionada através de voto popular, que neste ano eleita com a benção de Vovô (Antonio Carlos dos Santos, presidente do Ilê) a Dançarina Lucimar Cerqueira Souza, de 26 anos moradora do bairro fazenda Grande do Retiro.

Os maiores sucessos do Ilê são "Que Bloco é Esse", de Paulinho Camafeu, de 1974, que revelou toda musicalidade do Ilê para o Brasil e o Mundo; seguem-se outras como "Deusa do Ébano"; "Depois que o Ilê Passar"; "Charme da Liberdade", "Décima Quinta Sinfonia"; "Exclusao" e " Viva o Rei". Músicas que traduzem o poder do negro, através de vozes retumbantes e batuques ritmados.

MUDANÇA DO GARCIA HOMENAGEIA A MULHER

Edna Bispo, 31 anos, Baiana de Acarajé, 
segura nos braços de apenas 23 dias de nascido, enquanto vende a iguaria
FOTOS: Schirley Lima

CABELO, CABELEIRA,CABELUDA, DESCABELADA

FOTO: Paulo Sérgio Pinheiro





A PERCUSSÃO NA LIBERDADE
Texto: Natali Locatelli
As batidas da banda Blocão da Liberdade são tão viscerais quanto encantadoras em sua singeleza. Surgido em 1993, como bloco de carnaval, o objetivo do Blocão é difundir a cultura afro-baiana e fazer um trabalho social com garotos moradores do bairro da Liberdade. A referência ao Vulcão da Liberdade – o Ilê Aiê – é inevitável; seus componentes começaram a amar a percussão a partir dos ensaios do Ilê.   O mestre de bateria Jucilmar Moreira (25), morador da Liberdade, que também é participante do Ilê, realiza um trabalho de percussão com alunos na faixa etária do seis aos 25 anos, levando a mistura de ritmos, mesclando a percussão com outros instrumentos tais como baixo, teclado e guitarra.
O bloco possui um núcleo social que realiza um trabalho de inclusão profissional, dentre as atividades estão: aulas de higiene; saúde; postura e ética, abordando assuntos que envolvem o aumento da autoestima da comunidade.
O bairro Liberdade tem uma característica cultural muito forte, ocorrem muitas manifestações artísticas, que são sua principal linguagem de expressão. Tem a maior centralização de negros no Brasil, país onde a negritude é uma das maiores referências étnicas.
O bloco mostra o seu trabalho no Carnaval no sábado, domingo, segunda-feira e terça – feiras, no circuito Osmar (Campo Grande).
FOTO: Paulo Sérgio Pinheiro

Mulher mototaxista no Corredor da Vitória
FRASE:
O mototáxi tem sustentado muitas famílias

CABELO, CABELEIRA, CABELUDA, DESCABELADA

FOTO: Paulo Sérgio Pinheiro

Felipe Silva, 21, morador da Federação, conzinheiro.
FRASE:
"Diversão, alegria, êxtase"

INVISÍVEIS

FOTO: Paulo Sérgio Pinheiro
José Carlos Santana, 57, morador de Coutos, pedreiro e eletricista. O encontramos no Corredor da Vitória vindo da Barra, se mostrou bastante desanimado com relação a atual fase do carnaval.
FRASE:
"Não tem (sic) mais crnaval do povão.

CABELO, CABELEIRA, CABELUDA, DESCABELADA

FOTOS: Paulo Sérgio Pinheiro

CAMAROTE URBANO

FOTOS: Kirk Moreno        







segunda-feira, 7 de março de 2011

Irreverência e protesto na Mudança do Garcia
















FOTOS: Schiley Lima


Há 70 anos, com um humor afiado a Mudança do Garcia traz o lado B do carnaval. Composta por blocos de samba e percussão apresenta temas como: saúde, segurança e políticos, sempre de forma irreverente. 
Este ano, mantendo a tradição, os componentes invadem a passarela principal do circuito Osmar, no Campo Grande, atestando que os principais atores do carnaval devem ser o povo da cidade.     

BLOCO A MULHEREDA FAZ AÇÃO DE VISIBILIDADE CONTRA A VIOLÊNCIA À MULHER

Por GardeniaDultra e NataliLocatelli
Este ano o carnaval apresenta um forte apelo à questão de gênero – a terça-feira da folia momesca cai justamente no dia Internacional da Mulher, dia 8 de março. Seguindo um traço que o caracteriza, o bloco A Mulherada apresenta uma temática que desperta para assuntos polêmicos referente à questão de gênero. Este ano o lema do bloco é “Mulheres do Século XXI, a percussão no feminino: tocar pode, bater não”.  
Para Mônica Kalili, do Instituto “A Mulherada”, a violência contra a mulher é um crime invisível, que precisa ter maior visibilidade para que seja erradicado e punido. A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil, notifica a Dra. Márcia Lisboa, juíza da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Bahia. A violência contra a mulher é um problema de saúde pública, pois sofre não apenas a mulher vitimada, mas toda a família; podendo gerar filhos com sérios problemas psicológicos e refletindo na estruturação familiar e social.
Inaugurada em 18 de novembro de 2008, a 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Bahia, registrou em apenas dois anos 8 mil processos. A Vara funciona no bairro dos Barris, centro de Salvador e conta com uma equipe multidisciplinar, formada por juízes, psicólogos, assistentes sociais e defensores públicos.
A mídia ainda não oferece o destaque necessário à questão. A sociedade ainda requer ações que tornem públicas o combate à violência contra a mulher. A atuação do bloco “A Mulherada, é justamente neste sentido, Surgido em 1994, composto essencialmente por mulheres, vem enfatizando o assunto, com intuito de conscientizar a população sobre o direito legal de proteção à mulher contra violência, através da música, dança e inclusão social.


FOTO: Paulo Sérgio


Painel de Ação de Combate à Violência contra a Mulher do bloca A Mulherada



FOTO: Paulo Sérgio


Monica Kalili, integrante do Instituto A Mulherada


FOTO: Paulo Sérgio


             Dra Mônica Lisboa da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher na Bahia  8 mil processos em apenas dois anos 


A CLASSE MÉDIA INVADE OS FILHOS DE GANDHY

 Matéria: Claudio Nogueira

O impacto estético dos Filhos de Gandhy, a mística que envolve o bloco - o cheirinho de alfazema, sua bela indumentária e seus colares azul e branco - causa até nos menos tradicionalistas uma grande sedução.

O bloco criado por estivadores em 1949  e que contava em seu quadro quase que exclusivamente com homens das camadas populares de Salvador, passa a ser também objeto de consumo da classe média urbana advinda das mais diversas cidades do Brasil.
O grande apelo para sair neste Afoxé passa a não ser a mística, mas o credenciamento para se dar melhor com a mulherada. Até mesmo a tradicional  sandália do Gandhy vem sendo substituída por tênis.

Murilo Auad, 31 anos, turista da Cidade de Goiânia, saindo pela primeira vez nos Filhos de Gandhy, diz que os tênis são muito mais confortáveis e que sua motivação para sair no bloco foi realmente a possibilidade de conseguir mais facilmente uma namorada mediante a clássica oferta do colar a uma garota. "Mas apenas consegui jogar o meu colar para Cláudia Leitte, em cima do trio", lamenta. 

Sérgio, engenheiro civil, morador do Caminho das Árvores, destaca que os tênis são mais higiênicos que as sandálias,  mas admite que sair no Gandhy é "resgatar as origens e a tradição, é uma verdadeira renovação de espírito". Para José Carlos Alcântara, 38 anos, de Pernambués, sair sem as sandálias é a mesma coisa que sair sem o turbante, "é uma total descaracterização", defende. 


FOTO: Paulo Sérgio

Murilo Auad (à direita), turista de Goiânia, "os tênis são mais confortáveis que as tradicionais sandálias".


CABELO, CABELEIRA, CABELUDA, DESCABELADA

FOTO: Cláudio Nogueira


FOTO: Cláudio Nogueira

Professor (idade não revelada), morador da Gamboa. Ao ser perguntado sobre o significado da fantasia, disparou "eu quero é me divertir".  
Foto: Claudio Nogueira

Rivaldo Santos, 40 anos, Vendedor. Atua na área há 10 anos.
FRASE:
O Carnaval me proporciona trabalho.
Foto: Claudio Nogueira

 Valmir, Catador de latinha.
FRASE:
Carnaval é trabalho.
Foto: Claudio Nogueira

Edvaldo Alcantara, 58 anos, Aposentado. Fantasia de criação própria: Lobo. [Feita de cadarços]
FRASE:
Carnaval é alegria.

Foto: Claudio Nogueira

Ionice, 34 anos, Catadora de latinha.
FRASE:
 Meio de sobrevivência e de alegria.

Foto: Claudio Nogueira

Felipe Lasserie, 22 anos, Historiador. [Bandeira de Pernambuco]
FRASE:
Carnaval é um êxtase.


Foto: Claudio Nogueira

Aderbal Cerqueira,  52 anos, Funcionário Público.
FRASE:
Minha esposa diz a todo instante:  "Gostaria que vc me amasse mais que ao Bahia."

A voz do povo é a voz de Deus
Por Fernanda Lemos*
Durante o carnaval, as ruas de Salvador são verdadeiros laboratórios de histórias de vida.  Há uma grande diversidade estética e cultural - a vestimenta, as gírias, os regionalismos e diferentes sotaques dão a tônica. O mais bacana de tudo isso é ver como as pessoas sabem se divertir e  se expressar de forma tão intensa. Observar e identificar essas peculiaridades nos faz constatar o porque do carnaval de Salvador ser um dos melhores do Brasil. O soteropolitano, mesmo quando sem recursos financeiros, dá um show de criatividade com suas fantasias exóticas e inovadoras. Ambulantes, cordeiros, catadores de recicláveis e demais anônimos formam um bloco de folia à parte, tornando as ruas da cidades mais coloridas e anunciando que o importante é ser feliz.  
* Aluna do segundo semestre de jornalismo da FTC. Texto editado por Gardenia Dultra.
Histórias Vivenciadas no Carnaval de Salvador
 Texto de Natali Locatelli
Para muitos foliões, o bom de sair em blocos é por conta da segurança. Outros preferem os camarotes, que se multiplicam pelos circuitos. Mas, para uma grande maioria, bom mesmo é pular na rua, sem ficar preso às cordas. Esta escolha não se trata apenas de uma necessidade de adequar a folia ao orçamento, mas uma questão de preferência pelo lado mais popular da festa.
Para Duan Ribeiro, 32 anos, morador da Boca do Rio, trabalha em uma empresa privada na área administrativa, a melhor coisa são as histórias que só são vistas por quem está na rua. “Uma vez, chovia muito e, em Ondina, formou-se uma grande poça. Por coincidência, um amigo que estava fantasiado de Moisés pediu para o bloco esperar, passou pela poça com a esposa, batendo o cajado no chão, depois chamou o bloco pra segui-lo e a multidão foi junto.” Só quem estava lá embaixo curtiu.
A dona de casa Eliete Soares, 33 anos, moradora do Bairro Canabrava, trabalha como diarista, e é outra que adora uma pipoca “Quem não tem dinheiro para comprar um abada tem de ir na rua mesmo”, diz Eliete, que nunca saiu em bloco, mas se diverte como pode desde os 15 anos. Eliete reclama da confusão e do aumento da violência, fato que ela atribui ao maior número de pessoas nas ruas.
Temos duas realidades diferentes, a opção de sair na pipoca pelo simples fato de interagir com os amigos a qualquer momento e se deslocar para um bloco ou camarote, e a outra realidade a falta de opção, com limitações, sem escolhas, por não ter recursos financeiros, para arcar com o custo.
A segunda opção é a realidade de muitos baianos. Eles se deslocam de suas casas, muitas vezes distantes do circuito do carnaval, instalam-se nas ruas e avenidas com barracas, sem nenhuma infra-estrutura, com famílias e filhos. Eles vão para avenida com o peito aberto, muita alegria, sem preconceitos. O grande objetivo é a diversão!
FOTO: Ian Calmon 

Multidão aos pés do Farol


domingo, 6 de março de 2011

INVISÍVEIS NO PALCO DO ROCK, NOITE DE SÁBADO

FOTO: IanCalmon TEXTO: GardeniaDltra

Samurai, 33 anos, professor de artes marciais.
FRASE:
 "Eu odeio carnaval"

FOTO: IanCalmon CONCEITO E TEXTO: GardeniaDultra

 
A poesia do registro que ficou da transição entre o passado e o presente. Rastros que ficaram no caminho.
O rio que nos banhamos e que jamais será o mesmo. O arrebatadoramente efêmero .     

FOTO: GardeniaDultra

Deitado em berço esplêndido

BOTINADA

CENÁRIOS URBANOS, CENAS JUVENIS. PUNKS, DARKS, HEADBANGERS. CONTUDENCIA E REBELDIA TOMAM LUGAR DOS CONFETES E SERPENTINAS NO PRIMEIRA NOITE DO PALCO DO ROCK.  
(FOTOS: IanCalmon; TEXTO: GardeniaDultra)



Compra a laranja doutor que ainda dou uma de quebra pro senhor. A publicidade informal é um espetáculo à parte no carnaval. Quem vai querer, quem vai querer. Comprando ou vendendo, todos querem é se expressar
(FOTOS: IanCalmon; TEXTO: GardeniaDultra) 





 

sábado, 5 de março de 2011

Cada um tem o camarote que pode, a criatividade é ilimitada na hora de arrumar um cantinho para ver o bloco passar. A equipe do É brincadeira, mas é sério faz uma seleção dos camarotes mais inusitados. 









FOTOS: IanCalmon TEXTO e CONCEITO: GardeniaDultra